E ao te ver outra vez em tempos eu soube que seja lá o que tenha ocorrido entre nós - há quem chame de amor, eu chamo de essa coisa aí - sei lá, percebi que o amor era como uma daquelas garrafas de vinho caríssimas que a gente guarda em um lugar bem alto pra uma ocasião muito especial e, no fim, de tanto guardar, alguém acaba passando rápido demais, com muita sede ao pote e acaba derrubando a garrafa - acho que vale o mesmo pra virgindade. E fica aquela sujeira toda, misto de rubro e vidros onde gente imprudente e leviana como eu, que adora andar descalça, acaba se machucando mais ainda.
Mas a gente sempre pode comprar um vinho novo e esvaziar a garrafa antes que alguém a derrube.


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